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Capítulo 3 · 11 / 43

3.11

देवान्भावयतानेन ते देवा भावयन्तु वः ।
परस्परं भावयन्तः श्रेयः परमवाप्स्यथ ॥११॥

devān bhāvayatānena

te devā bhāvayantu vaḥ

parasparaṁ bhāvayantaḥ

śreyaḥ param avāpsyatha

devān—semideuses; bhāvayata—tendo sido satisfeitos; anena—por este sacrifício; te—aqueles; devāḥ—os semideuses; bhāvayantu—satisfarão; vaḥ—a vós; parasparam—mútuo; bhāvayantaḥ—satisfazendo uns aos outros; sreyaḥ—benção; param—a suprema; avāpsyatha—alcançareis.

Os semideuses, satisfeitos pelos sacrifícios, também vos satisfarão; assim, nutrindo uns aos outros, reinará prosperidade geral para todos.

Os semideuses são administradores investidos de poder dos assuntos materiais. O suprimento de ar, luz, água e todas as outras bênçãos para a manutenção do corpo e da alma de cada entidade viva é confiado aos semideuses, que são incontáveis assistentes em diferentes partes do corpo da Suprema Personalidade de Deus. Seus contentamentos e descontentamentos dependem da execução de yajñas pelo ser humano. Alguns dos yajñas destinam-se a satisfazer determinados semideuses; mas, ainda assim, em todos os yajñas, o Senhor Viṣṇu é adorado como o principal beneficiário. No Bhagavad-gītā também se afirma que o próprio Kṛṣṇa é o beneficiário de toda espécie de yajñas: bhoktāraṁ yajña-tapasām. Logo, a satisfação última do yajñapati é o propósito principal de todos os yajñas. Quando esses yajñas são perfeitamente executados, naturalmente os semideuses encarregados dos diferentes departamentos de suprimento ficam satisfeitos, e não há escassez no fornecimento dos produtos naturais.

A execução de yajñas tem muitos benefícios secundários, conduzindo, em última análise, à liberação do cativeiro material. Pela execução de yajñas, todas as atividades tornam-se purificadas, conforme se afirma nos Vedas:

āhāra-śuddhau sattva-śuddhiḥ sattva-śuddhau

dhruvā smṛtiḥ smṛti-lambhe sarva-granthīnāṁ vipra-mokṣaḥ

Como será explicado no verso seguinte, pela execução de yajña, os alimentos da pessoa são santificados, e, ao comer-se alimentos santificados, a própria existência se purifica; pela purificação da existência, os tecidos mais finos da memória tornam-se santificados, e, quando a memória se santifica, pode-se pensar na senda da liberação, e tudo isso, combinado, conduz à consciência de Kṛṣṇa, a grande necessidade da sociedade atual.