Capítulo 11 · 51 / 52
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भक्त्या त्वनन्यया शक्य अहमेवंविधोऽर्जुन ।
ज्ञातुं द्रष्टुं च तत्त्वेन प्रवेष्टुं च परन्तप ॥५४॥
bhaktyā tv ananyayā śakya
aham evaṁ-vidho ‘rjuna
jñātuṁ draṣṭuṁ ca tattvena
praveṣṭuṁ ca parantapa
bhaktyā—pelo serviço devocional; tu—mas; ananyayā—sem estar misturado a atividades fruitivas ou conhecimento especulativo; śakyaḥ—possível; aham—Eu; evam-vidhaḥ—dessa maneira; arjuna—ó Arjuna; jñātum—conhecer; draṣṭum—ver; tattvena—de fato; praveṣṭum—e adentrar; ca—também; parantapa—ó Tu de braços poderosos.
Meu querido Arjuna, somente pelo serviço devocional indiviso é que posso ser compreendido como sou, postado diante de ti, e assim ser visto diretamente. Somente dessa maneira poderás adentrar os mistérios de Minha compreensão.
Kṛṣṇa só pode ser compreendido pelo processo do serviço devocional indiviso. Ele explica isso de modo explícito neste verso, para que os comentadores não autorizados, que tentam compreender o Bhagavad-gītā pelo processo especulativo, saibam que estão simplesmente perdendo seu tempo. Ninguém pode compreender Kṛṣṇa, ou como Ele veio dos pais em uma forma de quatro mãos e imediatamente Se transformou em uma forma de duas mãos. Aqui se afirma claramente que ninguém pode vê-lO. Aqueles que, no entanto, são estudantes muito experientes da literatura Védica, podem aprender sobre Ele a partir da literatura Védica de várias maneiras. Há tantas regras e regulamentações, e, se a pessoa quiser de fato compreender Kṛṣṇa, deve seguir os princípios regulativos descritos na literatura autorizada. Pode-se realizar penitência conforme esses princípios. Quanto à caridade, é evidente que a caridade deve ser dada aos devotos de Kṛṣṇa que estão ocupados em Seu serviço devocional para difundir a filosofia de Kṛṣṇa, ou consciência de Kṛṣṇa, pelo mundo afora. A consciência de Kṛṣṇa é uma bênção para a humanidade. O Senhor Caitanya foi descrito por Rūpa Gosvāmī como o homem mais magnânimo na caridade, pois o amor a Kṛṣṇa, que é tão difícil de obter, foi por Ele distribuído gratuitamente. E, se alguém adora conforme prescrito no templo (nos templos da Índia há sempre alguma estátua, geralmente de Viṣṇu ou Kṛṣṇa), isso é uma oportunidade de progresso. Para os iniciantes no serviço devocional ao Senhor, a adoração no templo é assaz essencial, e isso se confirma na literatura Védica.
Aquele que tem devoção inabalável pelo Senhor Supremo e é orientado pelo mestre espiritual pode ver a Suprema Personalidade de Deus por revelação. Para quem não recebe instrução pessoal sob a orientação de um mestre espiritual genuíno, é impossível sequer começar a compreender Kṛṣṇa. A palavra tu é especificamente usada aqui para indicar que nenhum outro processo pode ser empregado, recomendado, ou ter êxito na compreensão de Kṛṣṇa.
As formas pessoais de Kṛṣṇa, a forma de duas mãos e a de quatro mãos, são completamente diferentes da temporária forma universal mostrada a Arjuna. A forma de quatro mãos é Nārāyaṇa, e a forma de duas mãos é Kṛṣṇa; são eternas e transcendentais, ao passo que a forma universal exibida a Arjuna é temporária. A própria palavra sudurdarśam, que significa difícil de ver, sugere que ninguém viu aquela forma universal. Sugere também que, entre os devotos, não havia necessidade de mostrá-la. Aquela forma foi exibida por Kṛṣṇa a pedido de Arjuna, para que, no futuro, quando alguém se apresentasse como encarnação de Deus, as pessoas pudessem pedir para ver sua forma universal.
Kṛṣṇa muda da forma universal para a forma de quatro mãos de Nārāyaṇa e em seguida para Sua própria forma natural de duas mãos. Isso indica que as formas de quatro mãos e outras formas mencionadas na literatura Védica são todas emanações do Kṛṣṇa original de duas mãos. Ele é a origem de todas as emanações. Kṛṣṇa é distinto até mesmo dessas formas, sem falar da concepção impessoal. Quanto às formas de quatro mãos de Kṛṣṇa, afirma-se claramente que mesmo a forma de quatro mãos mais idêntica a Kṛṣṇa (que é conhecida como Mahā-Viṣṇu, que jaz no oceano cósmico e de cuja respiração tantos inúmeros universos saem e entram) é também uma expansão do Senhor Supremo. Por conseguinte, deve-se conclusivamente adorar a forma pessoal de Kṛṣṇa como a Suprema Personalidade de Deus, que é eternidade, bem-aventurança e conhecimento. Ele é a fonte de todas as formas de Viṣṇu, é a fonte de todas as formas de encarnação, e é a Personalidade Suprema original, como se confirma no Bhagavad-gītā.
Na literatura Védica afirma-se que a Suprema Verdade Absoluta é uma pessoa. Seu nome é Kṛṣṇa, e Ele às vezes desce a esta terra. De modo semelhante, no Śrīmad-Bhāgavatam há a descrição de todas as espécies de encarnações da Suprema Personalidade de Deus, e ali se diz que Kṛṣṇa não é uma encarnação de Deus, mas a própria Suprema Personalidade de Deus original. Kṛṣṇas tu bhagavān svayam. De modo semelhante, no Bhagavad-gītā o Senhor diz: mattaḥ parataram nānyāt: “Não há nada superior à Minha forma como a Personalidade de Deus Kṛṣṇa.” Ele também diz, em outra passagem do Bhagavad-gītā: aham ādir hi devānām: “Eu sou a origem de todos os semideuses.” E, depois de compreender o Bhagavad-gītā a partir de Kṛṣṇa, Arjuna confirma isso com as seguintes palavras: paraṁ brahma paraṁ dhāma pavitraṁ paramaṁ bhavān: “Agora compreendo plenamente que Tu és a Suprema Personalidade de Deus, a Verdade Absoluta, e que Tu és o refúgio de tudo.” Por isso, a forma universal que Kṛṣṇa mostrou a Arjuna não é a forma original de Deus. A original é a forma de Kṛṣṇa. A forma universal, com seus milhares e milhares de cabeças e mãos, manifesta-se apenas para chamar a atenção daqueles que não têm amor por Deus. Não é a forma original de Deus.
A forma universal não é atrativa para os devotos puros, que estão apaixonados pelo Senhor em diferentes relações transcendentais. A Suprema Divindade troca amor transcendental em Sua forma original de Kṛṣṇa. Por isso, para Arjuna, que estava tão intimamente relacionado com Kṛṣṇa pela amizade, esta forma da manifestação universal não era agradável; pelo contrário, era assustadora. Arjuna, que é companheiro constante de Kṛṣṇa, certamente possuía olhos transcendentais; não era um homem comum. Por isso, não foi cativado pela forma universal. Esta forma pode parecer maravilhosa para as pessoas envolvidas em elevar-se por meio de atividades fruitivas, mas, para as pessoas ocupadas em serviço devocional, a forma de duas mãos de Kṛṣṇa é a mais querida.