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Capítulo 2 · 10 / 71

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तमुवाच हृषीकेशः प्रहसन्निव भारत ।
सेनयोरुभयोर्मध्ये विषीदन्तमिदं वचः ॥१०॥

tam uvāca hṛṣīkeśaḥ

prahasann iva bhārata

senayor ubhayor madhye

viṣīdantam idaṁ vacaḥ

tam—a ele; uvāca—disse; hṛṣīkeśaḥ—o mestre dos sentidos, Kṛṣṇa; prahasan—sorrindo; iva—desse modo; bhārata—ó Dhṛtarāṣṭra, descendente de Bharata; senayoḥ—dos exércitos; ubhayoḥ—de ambas as partes; madhye—entre; viṣīdantam—ao lamuriento; idam—as seguintes; vacaḥ—palavras.

Ó descendente de Bharata, naquele momento Kṛṣṇa, sorrindo, no meio dos dois exércitos, dirigiu as seguintes palavras ao pesaroso Arjuna.

A conversa transcorria entre amigos íntimos, a saber, Hṛṣīkeśa e Guḍākeśa. Como amigos, ambos estavam no mesmo nível, mas um deles voluntariamente se tornou aluno do outro. Kṛṣṇa sorria porque um amigo escolhera tornar-se discípulo. Sendo Senhor de tudo, Ele Se encontra sempre na posição superior como mestre de todos, e, no entanto, o Senhor aceita aquele que deseja ser amigo, filho, amante ou devoto, ou que O queira em tal papel. Mas, quando foi aceito como o mestre, imediatamente assumiu o papel e falou com o discípulo como o mestre—com gravidade, como se exige. Parece que a conversa entre o mestre e o discípulo foi trocada abertamente na presença de ambos os exércitos, de modo que todos se beneficiassem. Logo, as conversas do Bhagavad-gītā não se destinam a uma pessoa, sociedade ou comunidade em particular, mas a todos, e amigos ou inimigos têm igual direito de ouvi-las.