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Capítulo 7 · 14 / 30

7.14

दैवी ह्येषा गुणमयी मम माया दुरत्यया ।
मामेव ये प्रपद्यन्ते मायामेतां तरन्ति ते ॥१४॥

daivī hy eṣā guṇa-mayī

mama māyā duratyayā

mām eva ye prapadyante

māyām etāṁ taranti te

daivī—transcendental; hi—certamente; eṣā—esta; guṇamayī—constituída pelos três modos da natureza material; mama—Minha; māyā—energia; duratyayā—muito difícil de superar; mām—a Mim; eva—certamente; ye—aqueles que; prapadyante—rendem-se; māyām etām—esta energia ilusória; taranti—superam; te—eles.

Esta Minha energia divina, constituída pelos três modos da natureza material, é difícil de superar. Mas aqueles que se renderam a Mim podem facilmente ultrapassá-la.

A Suprema Personalidade de Deus possui inumeráveis energias, e todas essas energias são divinas. Embora as entidades vivas sejam parte de Suas energias e, portanto, sejam divinas, devido ao contato com a energia material, seu poder superior original fica encoberto. Coberta dessa maneira pela energia material, a pessoa não pode, de modo algum, superar sua influência. Como já foi afirmado, tanto a natureza material quanto a espiritual, sendo emanações da Suprema Personalidade de Deus, são eternas. As entidades vivas pertencem à eterna natureza superior do Senhor, mas, devido à contaminação pela natureza inferior, a matéria, sua ilusão também é eterna. A alma condicionada, por isso, chama-se nitya-baddha, ou eternamente condicionada. Ninguém consegue rastrear a história de seu condicionamento numa data definida da história material. Em consequência, sua libertação das garras da natureza material é muito difícil, ainda que essa natureza material seja uma energia inferior, pois a energia material é em última análise conduzida pela vontade suprema, que a entidade viva não consegue superar. A natureza material inferior é aqui definida como natureza divina, em virtude de sua conexão divina e do movimento pela vontade divina. Conduzida pela vontade divina, a natureza material, embora inferior, atua de modo tão maravilhoso na construção e destruição da manifestação cósmica. Os Vedas o confirmam da seguinte forma:

māyāṁ tu prakṛtiṁ vidyān māyinaṁ tu maheśvaram.

“Embora a māyā [ilusão] seja falsa ou temporária, o pano de fundo da māyā é o supremo mágico, a Personalidade de Deus, que é Maheśvara, o controlador supremo.”

Outro significado de guṇa é corda; deve-se entender que a alma condicionada está fortemente atada pelas cordas da ilusão. Um homem amarrado de mãos e pés não pode libertar-se — precisa ser ajudado por uma pessoa que esteja desatada. Como o atado não pode ajudar o atado, o socorredor deve estar liberado. Por isso, somente o Senhor Kṛṣṇa, ou Seu representante genuíno, o mestre espiritual, pode liberar a alma condicionada. Sem essa ajuda superior, ninguém pode libertar-se do cativeiro da natureza material. O serviço devocional, ou a consciência de Kṛṣṇa, pode ajudar a pessoa a obter essa libertação. Kṛṣṇa, sendo o Senhor da energia ilusória, pode ordenar a essa energia inexpugnável que liberte a alma condicionada. Ele ordena essa libertação por Sua misericórdia imotivada para com a alma rendida e por Sua afeição paternal pela entidade viva, que é, originalmente, um amado filho do Senhor. Por isso, render-se aos pés de lótus do Senhor é o único meio de libertar-se das garras da rigorosa natureza material.

As palavras mām eva também são significativas. Mām significa unicamente a Kṛṣṇa (Viṣṇu), e não a Brahmā ou Śiva. Embora Brahmā e Śiva sejam grandemente elevados e estejam quase no nível de Viṣṇu, não é possível a tais encarnações de rājo-guṇa (paixão) e tamo-guṇa (ignorância) liberar a alma condicionada das garras de māyā. Em outras palavras, tanto Brahmā quanto Śiva também estão sob a influência de māyā. Somente Viṣṇu é o senhor de māyā; por isso, somente Ele pode dar a libertação à alma condicionada. Os Vedas o confirmam na frase tvam eva viditvā, ou “A liberação só é possível compreendendo-se Kṛṣṇa”. Mesmo o Senhor Śiva afirma que a liberação só pode ser alcançada pela misericórdia de Viṣṇu. O Senhor Śiva diz:

mukti-pradātā sarveṣāṁ viṣṇur eva na saṁśayaḥ.

“Não há dúvida de que Viṣṇu é o concedente da liberação para todos.”