Capítulo 8 · 17 / 28
8.17
सहस्रयुगपर्यन्तमहर्यद् ब्रह्मणो विदुः ।
रात्रिं युगसहस्रान्तां तेऽहोरात्रविदो जनाः ॥१७॥
sahasra-yuga-paryantam
ahar yad brahmaṇo viduḥ
rātriṁ yuga-sahasrāntāṁ
te ‘ho-rātra-vido janāḥ
sahasra—mil; yuga—milênios; paryantam—incluindo; ahaḥ—dia; yat—aquele; brahmaṇaḥ—de Brahmā; viduḥ—conhecem-no; rātrim—noite; yuga—milênios; sahasra-antām—de modo semelhante, ao final de mil; te—essas; ahaḥ-rātra—dia e noite; vidaḥ—compreendem; janāḥ—pessoas.
Pelo cálculo humano, o conjunto de mil eras é a duração de um dia de Brahmā. E essa também é a duração de sua noite.
A duração do universo material é limitada. Ele se manifesta em ciclos de kalpas. Um kalpa é um dia de Brahmā, e um dia de Brahmā consiste em mil ciclos de quatro yugas, ou eras: Satya, Tretā, Dvāpara e Kali. O ciclo de Satya caracteriza-se pela virtude, sabedoria e religião, não havendo praticamente ignorância nem vício, e o yuga dura 1.728.000 anos. No Tretā-yuga introduz-se o vício, e este yuga dura 1.296.000 anos. No Dvāpara-yuga há um declínio ainda maior na virtude e na religião, com aumento do vício, e este yuga dura 864.000 anos. E, finalmente, no Kali-yuga (o yuga que estamos vivenciando há mais de 5.000 anos) há abundância de discórdia, ignorância, irreligião e vício, sendo praticamente inexistente a verdadeira virtude, e este yuga dura 432.000 anos. No Kali-yuga, o vício aumenta a tal ponto que, ao término do yuga, o próprio Senhor Supremo aparece como o avatāra Kalki, vence os demônios, salva Seus devotos e dá início a outro Satya-yuga. Então, o processo se põe em movimento outra vez. Esses quatro yugas, repetidos mil vezes, compõem um dia de Brahmā, o deus criador, e o mesmo número compõe uma noite. Brahmā vive cem desses “anos” e, depois, morre. Esses “cem anos”, pelos cálculos terrestres, totalizam 311 trilhões e 40 milhões de anos terrestres. Por estes cálculos, a vida de Brahmā parece fantástica e interminável, mas, do ponto de vista da eternidade, é tão breve quanto um relâmpago. No oceano causal, há inumeráveis Brahmās que surgem e desaparecem como bolhas no Atlântico. Brahmā e sua criação são todos parte do universo material; sendo assim, estão em fluxo constante.
No universo material, nem mesmo Brahmā está livre do processo de nascimento, velhice, doença e morte. Brahmā, no entanto, está diretamente ocupado no serviço ao Senhor Supremo, na administração deste universo — por isso, ele alcança imediatamente a liberação. Sannyāsīs elevados são promovidos ao planeta particular de Brahmā, Brahmaloka, que é o planeta mais elevado do universo material e que sobrevive a todos os planetas celestiais nos estratos superiores do sistema planetário; mas, no devido tempo, Brahmā e todos os habitantes de Brahmaloka estão sujeitos à morte, conforme a lei da natureza material.