Capítulo 14 · 16 / 24
14.16
कर्मणः सुकृतस्याहुः सात्त्विकं निर्मलं फलम् ।
रजसस्तु फलं दुःखमज्ञानं तमसः फलम् ॥१६॥
karmaṇaḥ sukṛtasyāhuḥ
sāttvikaṁ nirmalaṁ phalam
rajasas tu phalaṁ duḥkham
ajñānaṁ tamasaḥ phalam
karmaṇaḥ—de trabalho; sukṛtasya—no modo da bondade; āhuḥ—dito; sāttvikam—modo da bondade; nirmalam—purificado; phalam—resultado; rajasaḥ—do modo da paixão; tu—mas; phalam—resultado; duḥkham—miséria; ajñānam—disparate; tamasaḥ—do modo da ignorância; phalam—resultado.
Agindo no modo da bondade, a pessoa se purifica. Os trabalhos feitos no modo da paixão resultam em aflição, e as ações realizadas no modo da ignorância resultam em tolice.
Por atividades piedosas no modo da bondade a pessoa se purifica; por isso os sábios, livres de toda ilusão, situam-se em felicidade. De modo semelhante, as atividades no modo da paixão são simplesmente miseráveis. Qualquer atividade em prol da felicidade material está fadada a ser derrotada. Se, por exemplo, alguém quiser ter um arranha-céu, será preciso passar por muita miséria humana antes que se possa construir um grande arranha-céu. O financiador tem que ter muito trabalho para ganhar uma massa de riqueza, e aqueles que se escravizam para construir o edifício têm de prestar trabalho físico. As misérias estão presentes. Assim, o Bhagavad-gītā afirma que, em qualquer atividade realizada sob o feitiço do modo da paixão, há definitivamente grande miséria. Pode haver um pouco da chamada felicidade mental — “Eu tenho esta casa ou este dinheiro” —, mas isto não é felicidade real. No que se refere ao modo da ignorância, o executor está sem conhecimento e, por isso, todas as suas atividades resultam em miséria presente, e depois ele rumará para a vida animal. A vida animal é sempre miserável, embora, sob o feitiço da energia ilusória, māyā, os animais não compreendam isso. O abate de pobres animais também se deve ao modo da ignorância. Os matadores de animais não sabem que, no futuro, o animal terá um corpo adequado para matá-los. Esta é a lei da natureza. Na sociedade humana, se alguém mata um homem, tem de ser enforcado. Esta é a lei do estado. Por causa da ignorância, as pessoas não percebem que há um estado completo controlado pelo Senhor Supremo. Toda criatura viva é filha do Senhor Supremo, e Ele não tolera nem mesmo a morte de uma formiga. É preciso pagar por isso. Logo, a indulgência em matar animais para o gosto da língua é o mais grosseiro tipo de ignorância. Um ser humano não tem necessidade de matar animais, pois Deus forneceu tantas coisas agradáveis. Se a pessoa, mesmo assim, se entrega a comer carne, deve-se compreender que está agindo em ignorância e tornando seu futuro muito sombrio. De todos os tipos de matança de animais, a matança de vacas é a mais perversa, porque a vaca nos dá todos os tipos de prazer fornecendo leite. O abate de vacas é um ato do mais grosseiro tipo de ignorância. Na literatura Védica, as palavras gobhiḥ prīṇita-matsaram indicam que aquele que, estando plenamente satisfeito pelo leite, deseja matar a vaca, está na mais grosseira ignorância. Há também uma oração na literatura Védica que afirma:
namo brahmaṇya-devāya go-brāhmaṇa-hitāya ca
jagaddhitāya kṛṣṇāya govindāya namo namaḥ.
“Meu Senhor, Tu és o benquerente das vacas e dos brāhmaṇas, e és o benquerente de toda a sociedade humana e do mundo.” O propósito é que se dá menção especial nessa oração à proteção das vacas e dos brāhmaṇas. Os brāhmaṇas são o símbolo da educação espiritual, e as vacas são o símbolo do alimento mais valioso; estas duas criaturas vivas, os brāhmaṇas e as vacas, devem receber toda a proteção — esse é o verdadeiro avanço da civilização. Na sociedade humana moderna, o conhecimento espiritual é negligenciado, e o abate de vacas é incentivado. Há de se compreender, então, que a sociedade humana está avançando na direção errada e está abrindo caminho para sua própria condenação. Uma civilização que orienta os cidadãos a se tornarem animais em suas próximas vidas certamente não é uma civilização humana. A presente civilização humana está, sem dúvida, grosseiramente desviada pelos modos da paixão e da ignorância. É uma era muito perigosa, e todas as nações devem ter o cuidado de oferecer o processo mais fácil, a consciência de Kṛṣṇa, para salvar a humanidade do maior perigo.